
Ontem, o mercado brasileiro registrou uma leve alta no Índice de Preços ao Produtor (IPP) referente a dezembro, indicador que mede a inflação na origem da cadeia produtiva. Apesar do aumento, o resultado não trouxe maiores preocupações para a economia nacional, demonstrando certa estabilidade frente ao mês anterior.
Por outro lado, os Estados Unidos apresentaram dados que chamaram atenção, especialmente no que diz respeito à política de juros. As informações trabalhistas divulgadas mostraram números robustos: o ganho médio por hora superou as expectativas, o payroll trouxe uma geração de empregos praticamente o dobro da prevista e a taxa de desemprego ficou abaixo do esperado. Estes indicadores reforçam uma economia americana vigorosa, mas ao mesmo tempo provocam preocupações quanto à possibilidade de redução nas taxas de juros no curto prazo.
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Resultados corporativos com destaques distintos
Em relação aos resultados corporativos, o Banco do Brasil e a RIA, antiga Guararapes, mereceram atenção por apresentarem desempenhos bastante contrastantes.
No caso do Banco do Brasil, os números seguem desafiadores, sobretudo na carteira de crédito. Ainda que o resultado tenha sido positivamente influenciado por uma provisão menor, esta redução afetou negativamente a cobertura do banco sobre os créditos vencidos, visto que houve aumento na inadimplência. Além disso, o lucro foi inflado por um imposto de renda favorável, decorrente de elevado imposto diferido. Portanto, o resultado ainda não apresenta sinais de recuperação consistente.
Já a RIA apresentou desempenho mais satisfatório. Apesar de não ter registrado números expressivamente altos, foi registrado um crescimento orgânico, medido pelo same-store sales, de mais de 7%, acima da expectativa que estimava uma desaceleração significativa para o quarto trimestre do varejo, especialmente no segmento de vestuário. Além disso, o relatório apontou ganhos expressivos de margens, indicando melhor desempenho operacional.
Agenda econômica para hoje
Para o dia de hoje, a divulgação do crescimento do setor de serviços no Brasil ganha destaque, sendo um indicador relevante para entender a dinâmica econômica local.
Nos Estados Unidos, com o mercado já aberto, serão conhecidos os números dos pedidos de seguro-desemprego e das vendas de casas usadas, dados que costumam impactar a percepção sobre o desempenho da economia americana e influenciam decisões estratégicas no mercado.
No campo dos resultados corporativos, será divulgado o desempenho da Janbev antes da abertura do mercado, ativo que apresentou forte valorização recentemente, o que pode refletir no preço das ações. No fechamento, teremos os números da Vale, outra empresa com grande volume na bolsa, sendo fundamental acompanhar sua divulgação, ainda que os impactos nos preços provavelmente ocorram no dia seguinte, devido à movimentação antecipada dos investidores.
Detalhamento dos indicadores econômicos
Índice de Preços ao Produtor (IPP) no Brasil: indicador que mede a evolução dos preços na saída da fábrica, sendo um termômetro da inflação ao produtor. O leve aumento de dezembro em relação a novembro indica uma pressão moderada sobre os custos, que ainda não se traduz em impactos significativos para o consumidor final.
Indicadores trabalhistas dos Estados Unidos: o ganho médio por hora acima do esperado sugere aumento de renda para os trabalhadores, potencializando consumo. O payroll expressivo significa criação sólida de empregos, e a taxa de desemprego abaixo do previsto demonstra força do mercado de trabalho.
Pedidos de seguro-desemprego nos EUA: número relevante para avaliar a estabilidade do emprego e potenciais mudanças nesta dinâmica nos próximos meses.
Vendas de casas usadas nos EUA: refletem a saúde do mercado imobiliário, sendo um termômetro importante para setores correlatos e para o consumo em geral.
Same-store sales da RIA: indicador que mostra o crescimento orgânico das vendas em lojas já estabelecidas, importante para entender a performance real do varejo sem influência de novas inaugurações.

