
O destaque da divulgação econômica recente ficou por conta do desempenho das vendas no varejo brasileiro, que superou as expectativas do mercado. Enquanto a projeção apontava para uma retração de 0,1% em janeiro, o índice apresentou crescimento de 0,4%, um resultado significativamente positivo que sinaliza uma recuperação do consumo. Por outro lado, a inflação nos Estados Unidos seguiu conforme o esperado, sem apresentar surpresas relevantes.
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Resultados das empresas destacadas
No âmbito corporativo, três companhias chamam atenção pelos números divulgados recentemente: ASA, Brava e Cogna. A ASA, fruto da fusão entre Areso e Soma, enfrentou desafios em 2025 devido ao excesso de estoques. O ano foi marcado pela venda destes estoques e pelo processo de rebalanceamento do canal de distribuição, o que impactou negativamente a receita e a margem, especialmente em função dos descontos aplicados na marca Herring.
Entretanto, as perspectivas para 2026 são otimistas. A empresa projeta crescimento de dois dígitos e melhora significativa nas margens, impulsionada pela redução de despesas relacionadas à fusão, como consultorias e viagens. Desta forma, os ganhos operacionais devem ser mais evidentes ao longo do próximo ano.
A Brava também apresentou resultados fracos no curto prazo, afetada por interrupções na produção em várias unidades, incluindo Atlanta, Papaterra, Parque das Conchas e Potiguar, esta última em processo de vistoria da ANP. A queda nos preços do petróleo e seus derivados afetou a receita, principalmente na unidade de Atlanta, dependente da venda de bunker, um tipo específico de combustível refinado.
O resultado negativo de receita, rentabilidade e fluxo de caixa reforça o momento desafiador da empresa. Ainda assim, a expectativa para o primeiro trimestre é de recuperação gradual com o retorno das operações nos campos e a alta dos preços do petróleo. É relevante considerar que a Brava possui hedge que limita o efeito positivo do aumento do petróleo no seu caixa, diferentemente da Prio, que capta integralmente esse movimento.
Já a Cogna teve um trimestre complexo, porém com boas perspectivas. O segmento Croton apresentou queda na rentabilidade devido ao aumento dos custos associados à expansão da área de medicina, que demanda mais investimentos em infraestrutura, marketing e corpo docente. Além disso, o aumento dos descontos concedidos aos alunos impactou negativamente os resultados no curto prazo.
Por sua vez, o segmento Vasta apresentou desempenho sólido e dentro do esperado. Contudo, o segmento Saber foi afetado pelo adiamento do Programa Nacional do Livro Didático, que mudou a compra prevista para o quarto trimestre para o primeiro trimestre do ano seguinte. A empresa incorporou os gastos de preparação no último trimestre, mas ainda não contabilizou a receita, que deverá aparecer nos próximos resultados.
Indicadores econômicos e agenda de divulgação para hoje
O calendário econômico do dia reserva dados importantes que podem influenciar o mercado. No Brasil, chama atenção a divulgação do IPCA referente a fevereiro, previsto para ser divulgado às 9h. A expectativa é que o índice registre alta de 0,65%, o que poderá impactar as análises sobre inflação e política monetária.
Nos Estados Unidos, às 9h30, será divulgado o número de pedidos por seguro-desemprego, um indicador fundamental para avaliar a saúde do mercado de trabalho americano. O dado costuma ser um termômetro importante para investidores e analistas que acompanham a conjuntura econômica dos EUA.
Além disso, o dia contará com a divulgação de balanços corporativos de empresas como Magazine Luiza, Energisa, Ipera, Ezetec e Anima, entre outras. A abertura do pregão pode apresentar volatilidade, dada a quantidade de informações relevantes que chegarão ao mercado.

