Abra sua conta

Invista com a melhor escolha para os seus investimentos.
Obrigado!
Entraremos em contato em breve.
Fechar
Ops, algo deu errado. Tente novamente.
Conteúdo Blue3

Conteúdo

Últimas notícias

Tarifaço de 25%: o castigo americano que devolve troco em dólar ao exportador

Por Sergio Brotto, CEO da Dascam Corretora de Câmbio Washington confirmou a sobretaxa sobre produtos brasileiros, e o câmbio bocejou. A ironia dupla que poucos vão contar: a punição já tinha sido cobrada, em dólar, semanas antes de existir; e a fatura do que ainda vem não será paga em Washington, mas pelo importador brasileiro, […]

Por Sergio Brotto, CEO da Dascam Corretora de Câmbio

Washington confirmou a sobretaxa sobre produtos brasileiros, e o câmbio bocejou. A ironia dupla que poucos vão contar: a punição já tinha sido cobrada, em dólar, semanas antes de existir; e a fatura do que ainda vem não será paga em Washington, mas pelo importador brasileiro, pelo Copom e pela urna.

Terminou o suspense. Na noite da última quarta-feira, 15 de julho, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com o aval do presidente Donald Trump, encerrando a investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O relatório final classificou como “irrazoáveis” práticas brasileiras em frentes que vão do comércio digital ao desmatamento, passando por propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e, no centro simbólico do alvo, o Pix, acusado de colocar as processadoras de pagamento americanas em “desvantagem injusta”.

Ficam de fora da sobretaxa 1.698 códigos tarifários, entre eles café, carne bovina e suco de laranja, com a lista definitiva publicada no Federal Register. As exceções, convém dizer, não são um gesto de boa vontade com o Brasil: são autopreservação de uma indústria americana que não encontra substituto fácil para esses fornecimentos.

O tamanho do alvo é conhecido. Pela estimativa da Confederação Nacional da Indústria, cerca de 4,1 mil itens e aproximadamente US$ 14,9 bilhões em exportações anuais estão no perímetro da medida: ferro-gusa, açúcar, etanol, derivados de madeira e maquinário na linha de frente.

E há uma segunda espada suspensa: outra investigação do USTR, sobre trabalho forçado, propõe sobretaxa adicional de 12,5%. Na avaliação do próprio governo brasileiro, as duas medidas podem ser cumulativas, o que levaria à taxação de determinados produtos em até 37,5%. O tarifaço confirmado, portanto, pode não ser o teto; pode ser a primeira parcela.

Receba Informações do Mercado Financeiro em Tempo Real. Entre para nossa Comunidade no Whatsapp!!!

O paradoxo que ninguém vai colocar na manchete

Aqui entra a parte que interessa a quem vive de câmbio. Uma tarifa dessa magnitude deveria, nos manuais, pressionar o real: menos receita de exportação no horizonte, mais prêmio de risco. E pressionou, só que antes. O dólar subiu 2,38% em junho, quando a proposta veio a público e o mercado precificou a punição; foi nesse movimento que o exportador brasileiro recebeu, na conversão de suas receitas, o amortecedor cambial que compensa parte do que a tarifa lhe tira em competitividade.

O instrumento desenhado para punir o Brasil entregou ao punido um câmbio melhor semanas antes de existir. Que ninguém se iluda, porém, com a simetria: o câmbio compensa margem, não compensa volume, e não recupera o contrato perdido para o concorrente mexicano ou vietnamita que não carrega os 25%. Já o importador brasileiro paga a conta duas vezes sem ter feito nada, uma no dólar que subiu por antecipação, outra na inflação de insumos que esse dólar carrega.

“A tarifa é americana, mas a fatura cambial é brasileira e quem a recebe não é o exportador punido, é o importador inocente, o Copom e, agora, a urna.”

Acesse análises valiosas em tempo real na palma da mão! Não perca nenhuma oportunidade! Baixe GRATUITAMENTE o App da Blue Research agora e esteja sempre um passo à frente no mercado financeiro. 📲

O bocejo do mercado e o que ele não está contando

No dia da confirmação, o dólar fechou praticamente estável. Em julho, a moeda americana acumula queda de 1,64%; no ano, recua 7,48% frente ao real, que ostenta o segundo melhor desempenho entre as divisas relevantes, atrás apenas do peso colombiano, sustentado por um carry que operadores estimam em rendimento implícito próximo de 13%. A leitura de mesa é simples: o tarifaço era o risco mais anunciado do semestre, e o mercado não precifica punição anunciada; precifica surpresa.

O problema é o que ainda não está no preço. A sobretaxa cumulativa de 37,5% não está. A resposta brasileira, a nota oficial da madrugada, classificou a medida como “marco lastimável”, anunciou recurso à OMC e a ativação da Lei de Reciprocidade Econômica. E retaliação, quando sai do papel, transforma um choque comercial pontual numa escalada com calendário próprio, justamente o tipo de processo que o câmbio cobra em prestações.

Tome as MELHORES DECISÕES financeiras com o suporte de quem realmente entende do assunto. Fale com nossos Especialistas!

A urna entrou na cotação

E há o ingrediente que separa este tarifaço de qualquer outro: ele chega a menos de três meses do primeiro turno. O componente político é explícito dos dois lados: o Planalto vê na ofensiva pressão ligada à situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro foi pessoalmente à audiência do USTR argumentar que este seria o “pior momento possível” para a tarifa, pois a medida beneficiaria o presidente Lula.

Os primeiros números sugerem que o próprio pré-candidato tinha razão no diagnóstico: pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia da confirmação mostrou Lula ampliando a vantagem, com 40% contra 28% no primeiro turno e 45% contra 37% em eventual segundo turno, e a reação do mercado foi ambivalente, com a curva de juros pressionada pela leitura de que a continuidade sinalizaria política fiscal menos austera.

Eis o nó para quem opera câmbio: a bandeira da soberania tende a favorecer o incumbente no curto prazo, mas o custo econômico da tarifa, menos exportação, mais inflação de insumos, cobra seu preço ao longo da campanha; e cada rodada de retaliação, de lado a lado, será lida pela taxa de câmbio simultaneamente como evento comercial e como evento eleitoral. Tarifa e eleição deixaram de ser dois fatores de risco: viraram um só, entrelaçados, com vencimentos semanais até outubro.

O Copom herda o choque em péssima hora

O Banco Central projetou, no Relatório de Política Monetária do segundo trimestre, inflação de 5,2% para o fim de 2026, acima do teto da meta, e o mercado se divide entre pausa e um último corte de 0,25 ponto na reunião do fim de julho, com a Selic em 14,25%.

O alívio recente veio de fora: a deflação ao consumidor americano em junho reduziu a pressão por alta de juros nos EUA, mas um choque de custos importado via tarifa, somado ao prêmio de risco eleitoral, é exatamente o ingrediente que faltava para transformar a pausa no ciclo de cortes em algo mais duradouro.

O que fazer na mesa de câmbio hoje, não na semana que vem

Para o exportador atingido, a ordem é não confundir o vento a favor do câmbio com estratégia: travar parte das receitas nos patamares atuais, revisar prazos de ACC/ACE e mapear a exposição por destino, porque a lista de exceções pode mudar e a sobretaxa de 12,5% ainda paira.

Para o importador, o recado é mais duro: o dólar comportado de julho é a oportunidade de fazer barato o hedge que ficará caro na primeira retaliação, proteção se compra quando não é notícia. E, para os fluxos casados em moeda estrangeira, vale antecipar o dever de casa da Resolução BCB nº 575, que a partir de outubro amplia o acesso às contas em moeda estrangeira no país: num cenário de tarifa, retaliação e eleição, ela deixa de ser conveniência e vira gestão de risco.

O precedente de 2025, o tarifaço de 50% revertido meses depois, mediante negociação, sugere que a história não termina aqui. Mas desta vez o instrumento jurídico é mais robusto e as exigências americanas tocam a política doméstica, do Pix à regulação de plataformas, temas que Brasília declarou inegociáveis. Reversão, se vier, terá preço. Até lá, o câmbio fará o que sempre faz com incerteza prolongada: cobrá-la, diariamente, de quem não se protegeu.

Últimas notícias

Para quem quer acompanhar, em tempo real, as principais atualizações do mercado financeiro, direto do portal Its Money.

Ver tudo

Assine nossa newsletter

Receba por e-mail os melhores conteúdos sobre investimentos.

Ops! Algo deu errado. Tente novamente.