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A leitura de Ray Dalio sobre 2025 e os riscos que se acumulam para 2026

Receba Informações do Mercado Financeiro em Tempo Real. Entre para nossa Comunidade no Whatsapp!!! Ray Dalio – 2025 Um dos pontos mais interessantes do comentário recente de Ray Dalio é trazer para o dia a dia algo que costuma passar despercebido: o dinheiro perdeu valor. Em 2025, o dólar caiu cerca de 39% quando comparado […]

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Ray Dalio – 2025

Um dos pontos mais interessantes do comentário recente de Ray Dalio é trazer para o dia a dia algo que costuma passar despercebido: o dinheiro perdeu valor. Em 2025, o dólar caiu cerca de 39% quando comparado ao ouro.

Outras moedas tiveram desempenho semelhante — euro, franco suíço e renminbi também se desvalorizaram de forma relevante frente ao metal. Mesmo ativos que “subiram” em termos nominais contam outra história quando olhados por esse ângulo.

O S&P 500, por exemplo, avançou cerca de 18% em dólares, mas caiu aproximadamente 28% quando medido em ouro. Ou seja, muita coisa parece ter se valorizado, mas ficou para trás em relação ao ouro, uma das principais — senão a principal — reservas de valor.

Dalio conecta esse movimento a uma mudança mais ampla no cenário global. O mundo vem migrando de um arranjo multilateral, baseado em regras e instituições, para um ambiente cada vez mais unilateral, no qual países agem de forma mais direta em defesa de seus próprios interesses.

Esse deslocamento aumenta tensões geopolíticas, incentiva protecionismo e leva governos a expandirem gastos militares — quase sempre financiados por mais dívida.

O resultado é um ambiente em que moedas tendem a se enfraquecer enquanto ativos reais e estratégicos ganham relevância, reforçando a necessidade de olhar além dos preços nominais.

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Top Risks 2026 – Eurasia Group

Dos dez riscos mapeados pela Eurasia Group, um dos que mais ajuda a entender o pano de fundo deste post é a tentativa de retomada da Doutrina Monroe em sua versão mais literal. Em essência, trata-se da visão de que os Estados Unidos precisam voltar a exercer influência real e direta sobre o hemisfério ocidental, não apenas no plano diplomático, mas também econômico e estratégico.

Dentro dessa lógica, o endurecimento em relação à Venezuela deixa de ser um caso isolado, e a possibilidade de Cuba se tornar o próximo alvo — ainda que por meio de sanções e pressão econômica, e não ação militar — passa a fazer sentido como parte de uma estratégia mais ampla de reassertar poder no “quintal” americano.

Outro risco importante é o timing político. Existe uma probabilidade elevada de que Trump acelere suas políticas mais controversas antes das eleições de meio de mandato, justamente porque o apoio político tende a se deteriorar ao longo do tempo.

Se o midterm representar perda de força no Congresso, o espaço de manobra diminui. Isso cria incentivos claros para um comportamento mais agressivo no curto prazo, com decisões abruptas, menor disposição para consensos institucionais e maior uso do poder executivo — tornando 2026 um ano potencialmente mais conturbado do ponto de vista político.

Por fim, esse ambiente se conecta diretamente ao avanço do state capitalism com características americanas.

Na história moderna dos Estados Unidos, raramente — ou talvez nunca — um presidente escolheu de forma tão explícita vencedores e perdedores, seja por meio de participações acionárias do governo, controle de preços, direcionamento de investimentos estrangeiros ou concessões regulatórias seletivas.

Essa lógica, além de distorcer a alocação de capital, enfraquece o rule of law, torna o ambiente jurídico imprevisível e aumenta o risco de investir nos EUA.

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Latin America’s Revolution of the Right – Foreign Affairs

O ponto central do artigo Latin America’s Revolution of the Right, da Foreign Affairs, é que a guinada à direita na América Latina não parece ser apenas um movimento cíclico, mas sim uma mudança mais estrutural.

Segundo o Latinobarómetro, em 2024 a proporção de latino-americanos que se identificam como de direita atingiu o maior nível em mais de duas décadas. Esse movimento tem um motor claro: segurança pública.

O avanço do narcotráfico — com a produção de cocaína triplicando na última década — elevou a violência a níveis inéditos, tornando o crime a principal preocupação do eleitorado em diversos países, uma pauta na qual a esquerda historicamente encontra mais dificuldade em oferecer respostas críveis.

Nesse contexto, medidas duras e até controversas passaram a receber apoio popular significativo. Operações policiais violentas, como as realizadas no Rio de Janeiro, foram aprovadas inclusive entre moradores de favelas, e o caso de Nayib Bukele é ainda mais emblemático: desde 2019, os homicídios em El Salvador caíram mais de 90%, levando o presidente a níveis de popularidade inéditos na região.

O artigo mostra que, diante do aumento da criminalidade, parte expressiva da população está disposta a relativizar garantias institucionais em troca de maior sensação de segurança — inclusive em países com tradições democráticas mais sólidas, como o Chile.

Ao mesmo tempo, a direita latino-americana também mudou. Ela se tornou mais populista, mantendo — e em alguns casos ampliando — programas de transferência de renda e benefícios sociais, enquanto desloca o debate para o ponto fraco da esquerda: segurança pública.

Esse arranjo ajuda a explicar sua competitividade eleitoral recente. O risco, porém, vem de fora. O artigo argumenta que Donald Trump pode se tornar um fator desestabilizador para a direita regional, já que algumas de suas ações geraram reação nacionalista e perda de apoio a aliados, como no Brasil.

Por outro lado, quando bem alinhado — como no caso de Javier Milei — o ambiente externo pode amplificar expectativas pró-mercado e atrair capital, mostrando que o impacto de Trump será menos ideológico e mais contingente ao contexto político local.

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