O transporte marítimo é um elemento essencial do comércio internacional, responsável por cerca de 80% da movimentação de mercadorias em todo o mundo. Essa relevância decorre da capacidade de conectar produtores e consumidores em diferentes continentes por meio de rotas estratégicas que permitem o fluxo eficiente de bens.
No entanto, a dependência dessas rotas também expõe o sistema global a vulnerabilidades significativas. Os pontos de estrangulamento, “choke points”, são passagens estreitas e estratégicas, geralmente canais ou estreitos, que ligam áreas marítimas maiores e concentram elevado volume de tráfego.
Por sua localização privilegiada, tornam-se indispensáveis para o comércio internacional, mas ao mesmo tempo representam riscos estruturais e geopolíticos.
Do ponto de vista estrutural, a limitação física dessas passagens pode gerar gargalos. O bloqueio do Canal de Suez em 2021 mostrou como um único acidente é capaz de paralisar bilhões de dólares em transações, atrasar entregas e provocar volatilidade nos preços globais.
Já os riscos geopolíticos decorrem da exposição desses pontos a tensões políticas e militares: bloqueios, intervenções ou disputas energéticas podem interromper o fluxo de petróleo, gás e mercadorias, ampliando pressões inflacionárias e desestabilizando cadeias de suprimentos.
As consequências econômicas de uma interrupção variam conforme o local, mas tendem a se manifestar em três dimensões principais: instabilidade das cadeias globais de produção e distribuição, volatilidade nos preços de commodities e necessidade de realinhamentos estratégicos por parte dos países dependentes dessas rotas.
Em resposta, governos e empresas buscam alternativas logísticas, investimentos em infraestrutura e diversificação de fornecedores para reduzir a exposição a tais riscos.
Entre os pontos mais críticos identificados por análises geoestratégicas estão o Estreito de Malaca, o Canal de Suez, o Canal do Panamá e o GIUK Gap, cada um com características próprias, mas todos com potencial de gerar impactos econômicos globais caso sofram interrupções.
A partir da ação americana de extração de N Maduro na Venezuela em uma operação tática impecável, e das declarações ao longo da semana, de potenciais anexações, aquisições de extensão territorial e até mesmo de futuras ações antiterror em outros países, muito tem sido analisado sobre potenciais focos de tensão em 2026.
O cenário geopolítico em 2026 desenha uma reconfiguração agressiva do poder global, onde os EUA parecem estar implementando uma “Doutrina Donroe” (uma fusão da Doutrina Monroe com a agressividade transacional de Donald Trump).
As ações recentes na Venezuela e a pressão sobre a Groenlândia não são eventos isolados; são movimentos para controlar o “espaço vital” americano e seus principais pontos de estrangulamento.
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O Canal do Panamá conecta o Oceano Pacífico ao Mar do Caribe e ao Oceano Atlântico, funcionando como uma das rotas mais estratégicas do comércio marítimo mundial. Com cerca de 80 quilômetros de extensão, sua parte mais estreita é o Culebra Cut, próximo ao divisor continental.
Alternativas ao canal, como o Estreito de Magalhães, o Cabo Horn e a Passagem de Drake, no extremo sul da América do Sul, representam trajetos muito mais longos e perigosos, podendo adicionar até 13 mil quilômetros às viagens. Outras opções incluem o desvio pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, ou pelo Canal de Suez, mas todas implicam em custos logísticos significativamente maiores.
Além da rota marítima, existe o oleoduto Trans-Panamá, que liga o porto de Chiriqui Grande, no Caribe, ao porto de Charco Azul, no Pacífico. Com capacidade de 864 mil barris por dia, o oleoduto transportou mais de 300 mil barris diários em 2023, um aumento em relação a 2022.
Essa infraestrutura funciona como alternativa para o transporte de petróleo bruto, reduzindo a dependência do canal. Em 2016, uma expansão do Canal do Panamá permitiu o aumento de quatro trânsitos adicionais por dia e a passagem de embarcações ligeiramente maiores.
Apesar disso, apenas cerca de 3% dos fluxos globais de petróleo e derivados passaram pelo canal em 2023. Ainda assim, ele é crucial para o transporte de derivados e de gás natural liquefeito (GNL) do Golfo dos Estados Unidos para a América do Sul e para a Ásia.
Entre outubro de 2022 e setembro de 2023, petróleo bruto, derivados e GNL representaram 48% das cargas que transitaram do Atlântico para o Pacífico. No total, cerca de 2,1 milhões de barris por dia de líquidos petrolíferos foram movimentados, sendo a maior parte derivados refinados, já que os navios de petróleo bruto geralmente são grandes demais para atravessar o canal.
O crescimento das exportações norte-americanas de líquidos de gás de hidrocarbonetos (HGLs), especialmente propano, para a Ásia desde 2012 reforçou a importância do canal. Em 2023, as exportações de etano dos EUA para a China superaram 200 mil barris por dia, e a rota preferencial para esses embarques continua sendo o Canal do Panamá.
Entretanto, em 2023, uma seca severa reduziu os níveis de água do Lago Gatún, que abastece o sistema de eclusas, limitando o tráfego de navios. Os níveis caíram de 26,5 metros no início do ano para menos de 24,5 metros entre junho e outubro, um dos patamares mais baixos desde 1965.
Essa restrição provocou atrasos, aumento das tarifas de frete e redirecionamento de cargas de GLP e GNL para rotas alternativas, como o Canal de Suez ou o Cabo da Boa Esperança. O desvio aumentou significativamente o tempo de viagem: embarques do Golfo dos EUA para o Japão, que normalmente levam 27 dias pelo Panamá, passaram a durar 44 dias pelo Suez ou até 48 dias pelo Cabo da Boa Esperança.
Os ataques no Mar Vermelho, iniciados em novembro de 2023, agravaram a situação, levando muitas cargas a evitar o Canal de Suez e optar pelo Cabo da Boa Esperança.
Como consequência, fluxos de diesel e gasolina dos EUA para a América do Sul foram reduzidos, e houve uma reconfiguração do comércio: mais exportações asiáticas de destilados foram direcionadas para a América do Sul, enquanto os EUA aumentaram o envio de derivados para a Europa.
O comércio de GNL também foi impactado. Desde 2016, os EUA exportam GNL principalmente para a Ásia e a Europa, utilizando o Canal do Panamá como rota preferencial para o mercado asiático.
No entanto, congestionamentos e restrições reduziram os volumes: de cerca de 910 bilhões de pés cúbicos em 2021 para 640 bilhões em 2022 e 560 bilhões em 2023. Parte dessa queda se deveu à seca no canal e à mudança de fluxos para a Europa após a redução das exportações de gás russo.
Do ponto de vista econômico, o Canal do Panamá continua sendo uma infraestrutura crítica para o comércio energético global, especialmente para derivados e GNL. Contudo, sua vulnerabilidade a fatores climáticos, como secas, e a tensões geopolíticas, como ataques em rotas alternativas, evidencia a necessidade de diversificação logística e investimentos em resiliência.
A dependência de mercados asiáticos e sul-americanos dessa rota reforça seu papel estratégico, mas também expõe o sistema global a riscos que podem gerar volatilidade nos preços de energia e reconfigurações nas cadeias de suprimento.
A partir da ação americana de extração de N Maduro na Venezuela em uma operação tática impecável, e das declarações ao longo da semana, de potenciais anexações, aquisições de extensão territorial e até mesmo de futuras ações antiterror em outros países, muito tem sido analisado sobre potenciais focos de tensão em 2026.
O cenário geopolítico em 2026 desenha uma reconfiguração agressiva do poder global, onde os EUA parecem estar implementando uma “Doutrina Donroe” (uma fusão da Doutrina Monroe com a agressividade transacional de Donald Trump). As ações recentes na Venezuela e a pressão sobre a Groenlândia não são eventos isolados; são movimentos para controlar o “espaço vital” americano e seus principais pontos de estrangulamento.
“Mare Nostrum” Americano: Um dos principais pontos de atenção está no eixo Venezuela-Panamá, onde a recente operação militar dos EUA na Venezuela e o controle sobre seus ativos de petróleo (estimados em 300 bilhões de barris) servem para consolidar o Caribe como um lago interior americano. Com a Venezuela sob influência direta dos EUA, o Canal do Panamá torna-se o centro de um bloco econômico hemisférico.
O controle dos fluxos venezuelanos garante que os EUA possam ditar os custos de energia que passam pelo canal rumo à Ásia.
Entretanto, a presença de submarinos e navios de guerra russos escoltando petroleiros “rebeldes” perto da costa venezuelana e do Panamá aumenta o risco de um erro de cálculo que possa fechar o canal, seja por acidente militar ou por sabotagem cibernética.
O Canal do Panamá afeta diretamente o comércio interoceânico das Américas. No setor de energia, o transporte de derivados de petróleo e gás entre Atlântico e Pacífico se torna mais caro e demorado em caso de restrição.
O setor de alimentos também é atingido, já que exportações agrícolas da América do Sul para a Ásia dependem dessa rota. A manufatura sofre com o aumento dos custos logísticos para bens industriais que circulam entre América do Norte e Ásia. Para a tecnologia, o impacto aparece no encarecimento do transporte de equipamentos e componentes entre polos de produção e consumo.
Há ainda uma movimentação por parte da Administração Trump para assumir o controle da Groenlândia, o que ultrapassa o conceito de expansão territorial clássica; trata-se de uma estratégia de “hedging” geoeconômico contra a ascensão da China e a militarização russa no Ártico.
O derretimento do permafrost e do gelo marinho está viabilizando três rotas principais: a Passagem do Noroeste (ao longo do Canadá), a Rota do Mar do Norte (controlada pela Rússia) e a Rota Transpolar (pelo centro do Oceano Ártico). A pressão sobre a Dinamarca cria uma fricção diplomática de alto custo.
No entanto, sob a lógica da “Realpolitik 2026”, o governo norte-americano parece avaliar que o custo de alienar um aliado é menor do que o risco de permitir que a China consolide sua “Rota da Seda Polar” através de parcerias de investimento na ilha.
A rota via Ártico pode reduzir a distância entre o Leste Asiático e a Europa em até 40% comparado ao Canal de Suez. Em termos econométricos, isso representa uma redução drástica nos custos variáveis (combustível e afretamento) e um aumento na produtividade do capital imobilizado em trânsito.
Com a instabilidade crônica em chokepoints como o Estreito de Bab-el-Mandeb (Mar Vermelho) e gargalos climáticos no Canal do Panamá, a Groenlândia emerge como o “porto seguro” logístico.
Controlar a ilha significa controlar o hub de monitoramento e suporte para a Passagem do Noroeste, permitindo aos EUA ditar normas de navegação e padrões de segurança em um novo corredor que poderá movimentar trilhões em mercadorias.
O valor da ilha deve ser calculado como uma opção real sobre o controle de fluxos comerciais futuros e a segurança de insumos inelásticos.
A Groenlândia detém depósitos massivos de minerais críticos (neodímio, praseodímio, térbio), fundamentais para a indústria de defesa e a transição energética. Atualmente, a China domina mais de 80% do refino global de terras raras.
O interesse americano foca na criação de uma cadeia de suprimentos end-to-end dentro do bloco ocidental, reduzindo o custo marginal de tecnologias verdes e aeroespaciais, e garantindo a superioridade técnica a longo prazo.
A Groenlândia não é mais uma periferia; é o ponto de articulação entre a segurança energética da Europa, a hegemonia marítima dos EUA e o acesso aos recursos do futuro.
O controle sobre este território permite aos EUA exercer uma “tributação de influência” sobre as rotas que definirão o comércio Ásia-Europa nas próximas décadas. A internalização da produção groenlandesa na zona de influência direta dos EUA eliminaria o risco de “coerção econômica” por parte de Pequim.
Economicamente, a Groenlândia depende de um subsídio anual de Copenhague (o block grant), que representa cerca de 20-25% do seu PIB. Para os EUA, a estratégia envolve substituir essa dependência dinamarquesa por investimentos diretos estrangeiros (IDE) em infraestrutura dual (civil-militar).
GIUK Gap – Relevância Militar: As declarações de anexação ou “compra forçada” da Groenlândia visam transformar a ilha em um porta-aviões fixo e insubstituível. O desejo de controle da Groenlândia, por parte da América, não resolve a preocupação da Administração Trump.
Na prática, há um desejo de estender o controle e monitoramento sobre o “GIUK Gap”. Se a Groenlândia for integrada ao território americano, a capacidade da OTAN/EUA de monitorar e bloquear a frota russa no Ártico torna-se absoluta. Isso remove a dependência de “parceiros difíceis” como a Dinamarca em crises futuras.
O GIUK Gap tem um caráter mais estratégico do que comercial, mas seus efeitos econômicos são crescentes. No setor de energia, o controle dessa passagem pode influenciar rotas de abastecimento de petróleo e gás entre América do Norte e Europa, além de futuras rotas árticas.
O setor de alimentos é menos diretamente afetado, mas poderia sofrer com encarecimento logístico em caso de tensões militares. A manufatura sentiria impactos indiretos pela necessidade de redirecionar rotas de suprimento. Já a tecnologia poderia ser afetada pela exploração de terras raras na Groenlândia, insumos críticos para semicondutores e baterias, tornando o controle da região um fator estratégico para o setor.
As recentes ações, pronunciamentos e sinalizações da Administração Trump indicam uma combinação de movimentos defensivos de uma América se preparando para uma economia de “fortaleza”, onde o controle físico das rotas de transporte e das matérias-primas (petróleo e minerais) substitui a diplomacia de livre comércio.
O interesse sobre a Groenlândia tem vários vértices: o de defesa a partir do monitoramento ostensivo das rotas marítimas, o comercial que se desenvolve a partir de novas rotas de navegação a partir do degelo na região, e o acesso a reservas de cerca de 18% das reservas mundiais de terras raras, cujo impacto econômico e tecnológico de acesso a tais recursos é primordial ao país na busca de novos “suppliers” que atendam a defesa e a transição energética.
Na Ásia, o Estreito de Malaca, que conecta o Oceano Índico ao Oceano Pacífico, é a rota marítima mais curta entre os fornecedores de petróleo e gás natural do Oriente Médio e os mercados em expansão do Leste e Sudeste Asiático.
Trata-se do principal ponto de estrangulamento da Ásia e, em termos de volume de trânsito de petróleo, o maior do mundo. Em 2023, cerca de 23,7 milhões de barris por dia passaram por essa rota, dos quais aproximadamente 70% correspondem a petróleo bruto e o restante a derivados.
Alternativas como os estreitos de Sunda e Lombok, no arquipélago indonésio, são menos eficientes e não conseguem substituir plenamente a centralidade de Malaca. A importância econômica do estreito é reforçada por sua vulnerabilidade. Desde 2018, os ataques de pirataria, incluindo tentativas de roubo e sequestro de navios, aumentaram, sobretudo na região de Singapura, elevando custos de seguro e riscos operacionais.
Choques de demanda global podem afetar diretamente os fluxos. Entre 2019 e 2021, houve queda de 1,2 milhão de barris por dia em razão da pandemia de COVID-19, com destaque para a China, principal importadora, que manteve um dos lockdowns mais longos do mundo e retardou a recuperação de suas importações até 2023. Outros grandes importadores que dependem da rota são Japão e Coreia do Sul.
Entre 2021 e 2023, os fluxos voltaram a crescer, com aumento de 1,8 milhão de barris por dia, impulsionados principalmente por produtores da OPEP no Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque), responsáveis por quase 60% do petróleo bruto que transita por Malaca.
Contudo, cortes adicionais de produção da OPEP+ em 2023 limitaram exportações, e o Kuwait redirecionou parte de sua produção para novas refinarias domésticas. Paralelamente, Estados Unidos, Irã e Rússia ampliaram suas exportações pela rota.
O petróleo norte-americano do Golfo aumentou significativamente sua presença na Ásia, enquanto o Irã, apesar das sanções, conseguiu expandir vendas para a China.
Já a Rússia, após as sanções ocidentais de 2022, redirecionou parte de suas exportações do Mar Báltico e do Mar Negro para a Ásia, utilizando tanto o Canal de Suez quanto o Estreito de Malaca, com destaque para o crescimento das vendas à Índia.
Em contrapartida, as exportações africanas de petróleo pelo estreito caíram de 1,8 milhão de barris por dia em 2018 para menos de 1 milhão em 2023, refletindo a queda na produção.
Além disso, o arquipélago malaio, incluindo Indonésia e Malásia, mantém intenso comércio interno pela rota, com entre 600 mil e 700 mil barris diários de líquidos petrolíferos movimentados nos últimos cinco anos.
O Estreito de Malaca também é fundamental para o transporte de gás natural liquefeito (GNL), especialmente do Catar e de fornecedores africanos, destinado a países asiáticos como Japão, China e Coreia do Sul, que apresentam crescente demanda. Essa dependência levou a China a investir em alternativas terrestres para reduzir sua vulnerabilidade.
Entre elas estão os oleodutos e gasodutos que ligam a costa oeste de Mianmar à província de Yunnan, inaugurados em 2013 e 2017, respectivamente. Embora operem abaixo da capacidade projetada, o oleoduto transportou cerca de 219 mil barris por dia em 2023, permitindo que parte do petróleo do Oriente Médio chegue à China sem passar por Malaca.
O Estreito de Malaca, embora geograficamente distante, o que acontece na Venezuela e na Groenlândia reverbera no Estreito de Malaca. Se os EUA tomarem controle total da energia no Hemisfério Ocidental (Venezuela) e das rotas do Ártico (Groenlândia), a China sente-se cada vez mais acuada.
Isso acelera a militarização do Estreito de Malaca por Pequim, que teme um bloqueio naval americano como retaliação a qualquer movimentação no Caribe ou no Ártico.
Do ponto de vista econômico, o Estreito de Malaca é simultaneamente um ativo estratégico e uma vulnerabilidade global.
Sua centralidade para o fluxo de petróleo e gás significa que qualquer interrupção, seja por pirataria, tensões geopolíticas ou choques de oferta, gera impactos imediatos nos preços internacionais de energia e nas cadeias de suprimento asiáticas.
Ao mesmo tempo, os investimentos chineses em infraestrutura terrestre mostram como grandes importadores buscam reduzir riscos e dependência, criando alternativas que podem reconfigurar o equilíbrio energético mundial nas próximas décadas.
Se as tensões em Malaca subirem em resposta à agressividade americana nas Américas, o custo do frete marítimo global disparará, já que 42% do comércio mundial passa por aquele estreito.
No Estreito de Malaca, o impacto é ainda mais concentrado em energia, pois cerca de um quarto do petróleo mundial passa por essa rota, abastecendo principalmente China, Japão e Coreia do Sul; qualquer bloqueio gera escassez e aumento de preços.
O setor de alimentos sofre indiretamente, já que fertilizantes e commodities agrícolas também transitam pela região. A manufatura asiática, altamente dependente de importação de matérias-primas e exportação de bens manufaturados, seria gravemente prejudicada, com fábricas paralisadas por falta de insumos.
A tecnologia, que depende da exportação de eletrônicos e semicondutores da Ásia, enfrentaria atrasos e encarecimento global. Nos próximos meses poderemos entender como os principais estadistas avaliam o poder, o comércio e sua projeção na história, a partir de estreitos marítimos.





