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O Brasil já está entre os cinco países que mais adotam stablecoins no mundo, segundo um relatório recente da TRM Labs, e não é por acaso.
Entre janeiro e julho de 2025, esses ativos moveram US$ 4 trilhões, um salto de 83% sobre o mesmo período do ano anterior, e passaram a responder por 30% de toda a atividade on-chain global. Esses números mudam a conversa: stablecoins deixaram de ser só “assunto de cripto” para virar infraestrutura real de pagamentos.
O que chama atenção não é só o volume, mas o motivo pelo qual as pessoas e empresas estão usando essas moedas. Diferente das bolhas de especulação que marcaram ciclos anteriores, hoje vemos adoção prática: pagamentos internacionais, remessas, preservação de poder de compra em economias com inflação e acesso rápido a dólares quando as janelas bancárias ou controles cambiais atrapalham.
Em mercados emergentes, essa utilidade imediata explica por que a penetração é tão forte.
No varejo, a adoção explodiu: o relatório aponta um crescimento de 125%, liderado justamente por usuários comuns. Mesmo em lugares com regras cambiais rígidas ou proibições formais, a população busca alternativas que ofereçam mais eficiência e menos custo.
E outro ponto importante: a narrativa de que o ecossistema de criptomoedas é dominado por crimes já não se sustenta, pois o estudo identificou que 99% das atividades são lícitas. Com monitoramento maior, atores mal-intencionados migraram para outras ferramentas, enquanto empresas e tesourarias passaram a confiar na tecnologia.
Hoje não é raro ver tesourarias de empresas, de diferentes portes, usando stablecoins para movimentar capital fora do horário bancário, reduzir custos de câmbio e acessar liquidez contínua. Plataformas digitais e serviços que exigem rapidez e baixo custo em transferências transfronteiriças também encontram nas stablecoins uma solução prática.
Na prática, elas viraram uma camada operacional que funciona por trás das cenas, mas que garante velocidade e eficiência para transações que antes dependiam exclusivamente do sistema bancário tradicional.
No Brasil, a entrada no top 5 global é um sinal de maturidade do mercado local. Temos demanda real por alternativas financeiras que ofereçam estabilidade em dólar, agilidade nas transferências e menor custo — e isso se reflete tanto nas pessoas quanto nas empresas que começaram a incorporar stablecoins em seu fluxo operacional.
A pressão por regras também aumentou: o avanço da adoção levou reguladores ao redor do mundo a mover peças importantes — da implementação da MiCA na Europa ao debate nos EUA — e o Brasil não ficou fora.
O Banco Central publicou resoluções que entram em vigor em fevereiro e que consolidam o papel das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV) como intermediárias e custodiante desses ativos. Isso tende a trazer mais segurança jurídica e facilitar a integração com o sistema financeiro formal.
Olhando para 2026, há um cenário favorável: a expectativa de juros mais baixos no Brasil e EUA pode aquecer ativos de risco e acelerar a integração entre cripto e finanças tradicionais.
A disputa deixou de ser “cripto versus bancos” e hoje é sobre quem entrega liquidez, segurança e eficiência em escala. E, nesse jogo, as stablecoins se estabeleceram como o maior caso de uso prático da tecnologia blockchain.
Resumindo: não se trata de modismo. O que estamos vendo é a consolidação de uma infraestrutura que resolve problemas reais, pagamentos mais rápidos, remessas mais baratas, proteção contra volatilidade local e que, com regras mais claras, deve ganhar ainda mais tração.
Para quem trabalha com investimentos e gestão, ignorar esse movimento não é mais uma opção.
Fontes:
https://www.trmlabs.com/reports-and-whitepapers/2025-crypto-adoption-and-stablecoin-usage-report?utm_source=chatgpt.com
https://www.infomoney.com.br/onde-investir/brasil-entra-no-top-5-global-de-uso-de-stablecoins-mercado-movimenta-us-4-trilhoes/





